Estudo com dados inéditos do setor de tecnologia brasileiro foi lançado pela ACATE no 2º dia de Startup Summit 2025. Foto: divulgação

SC ultrapassa o RS e se torna o 5º maior polo nacional de tecnologia

O segundo dia de Startup Summit, nesta quinta-feira (28), no CentroSul, em Florianópolis, foi marcado pelo lançamento do Observatório ACATE 2025 – estudo que apresenta dados inéditos sobre o setor de tecnologia brasileiro, além de um panorama com enfoque especial no ecossistema de inovação catarinense. O levantamento destaca que o setor em Santa Catarina obteve crescimento de mais de 40% em faturamento nos últimos cinco anos, chegando ao montante de R$ 42,5 bilhões em 2024.

Os dados mostram que o estado catarinense expandiu sua competitividade no cenário econômico no último ano, ultrapassando o Rio Grande do Sul e se consolidando na quinta colocação no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

A alta no faturamento do segmento de Santa Catarina em 2024 foi de 11%, superando a média nacional (7,7%), resultado que amplia a participação do setor no PIB estadual para 7,75%, a terceira maior entre os estados brasileiros, e acompanha o ritmo ascendente dos últimos cinco anos: desde 2020, o setor registrou alta de 15,7% em sua participação no PIB estadual. Em faturamento per capita no segmento, SC também se destaca com R$ 5,2 mil por habitante, atrás apenas do Distrito Federal, São Paulo e Amazonas.

Em número de empresas de tecnologia, SC registrou a maior elevação proporcional no volume de negócios no setor no último ano, com alta de 6,2%, enquanto São Paulo (-0,4%), Rio de Janeiro (-4,5%) e Rio Grande do Sul (-1,2%), apresentaram retração. Com 29,4 mil negócios ativos, o estado agora ocupa a 6ª colocação nacional em número absoluto de companhias de tecnologia.

“SC tem demonstrado que o crescimento do setor de tecnologia não é um fenômeno pontual, mas sim o reflexo de uma construção consistente, baseada em qualificação de talentos, incentivo ao empreendedorismo e um ambiente colaborativo entre academia, setor produtivo e poder público”, analisa o presidente da ACATE, Diego Brites Ramos. Para o executivo, os resultados do estudo mostram não apenas o desempenho positivo do setor, mas revelam um avanço estrutural do ecossistema de inovação catarinense. “O fato de liderarmos o crescimento no número de empresas, mesmo em um ano de retração nacional, reforça a resiliência do nosso ecossistema. E mais: com 98 mil vagas de emprego previstas para serem abertas no setor estadual até 2027, precisamos continuar investindo em formação e retenção de profissionais para sustentar esse avanço”, completa.

O relatório do Observatório ACATE ainda mostra que SC também segue em ascensão quanto à geração de empregos. Foram 100,4 mil postos de trabalho ativos no setor em 2024, número que coloca o estado como o 3º maior polo de empregos em tecnologia no Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. A taxa de crescimento (+7,2%) foi mais que o dobro da média nacional (+3,4%).

O dinamismo catarinense também se reflete na remuneração média dos profissionais de tecnologia, que chegou a R$ 5.768, valor quase duas vezes maior do que o salário médio em setores tradicionais como comércio e construção. Além disso, o estado tem uma das maiores taxas de empregabilidade formal em tecnologia: 39,5 empregos para cada mil trabalhadores, ocupando a 3ª posição nacional nesse indicador.

O Observatório ACATE 2025 já está disponível para acesso neste link. Os dados têm como fonte principal um Sistema de BI, desenvolvido pela entidade com base em dados levantados pela Neoway e fontes públicas, como a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais). O levantamento contempla a quantidade de empresas em atividade, faturamento, número de empreendedores e trabalhadores. As atividades econômicas que identificam o setor seguem a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0), e se dividem em Hardware, Software e Serviços.

Futuro da tecnologia

A projeção para os próximos anos é ainda mais ambiciosa. Até 2030, Santa Catarina prevê atingir 140 mil empregos no setor, com um faturamento estimado de R$ 68 bilhões, representando quase 10% do PIB estadual. O estado também busca consolidar um papel relevante no atendimento da demanda nacional por profissionais, com expectativa de abertura de 98 mil vagas até 2027, 44 mil delas apenas para desenvolvedores.

Apesar dos avanços, o estudo aponta desafios, como o baixo índice de digitalização dos setores tradicionais da economia catarinense, que ainda limita o aproveitamento mais amplo das soluções tecnológicas disponíveis. A integração entre indústrias convencionais e o setor de inovação é vista como essencial para garantir um crescimento sustentável.

“Com um ambiente favorável à inovação, profissionais qualificados, alto índice de formalização e crescimento contínuo mesmo em um cenário de desaceleração nacional, Santa Catarina consolida sua posição como uma das referências do setor de tecnologia no Brasil, sendo um polo estratégico não apenas para o Sul, mas para todo o país”, conclui Ramos.

O mais novo programa da Associação, o ACATE 1bi, é uma das iniciativas que mira o futuro do segmento. Formado por empresas catarinenses de tecnologia que já superaram a marca de R$  30 milhões em faturamento anual, o programa tem como objetivo fortalecer a competitividade desses negócios a nível nacional e internacional, ao mesmo tempo, em que inspira e apoia a escalada de outros negócios, visando consolidar uma nova geração de scale-ups em Santa Catarina.

Durante o Startup Summit 2025, o ACATE 1bi foi apresentado ao público em painel no estande da Associação, com a participação de: Diego Ramos; Everton Gubert, CEO da Agriness e Diretor da nova iniciativa; Cláudio Grando, Fundador da Audaces e Conselheiro do ACATE 1bi; e Bruno Watté, Diretor da Bateleur – mantenedora do programa que é referência em fusões e aquisições (M&A) e em consultoria estratégico-financeira para grandes corporações da região sul do Brasil.

O bate-papo entre as lideranças do novo programa apresentou experiências dos empreendedores e explorou estratégias de investimentos, governança e internacionalização para o crescimento de negócios. Fundador da fashiontech multinacional, Cláudio Grando destacou que a expansão para mercados estrangeiros é uma das oportunidades para futuro: “O que o ecossistema de SC faz é muito bom, tem qualidade e pode competir em qualquer lugar do mundo. Com a nossa capacidade de desenvolver tecnologia de alto valor e de liderar até mesmo em ambientes de crise, estar na Itália, em Portugal, nos Estados Unidos e em outros países não é diferente de estar no Brasil, é mais simples”.

Eventos da ACATE paralelos ao Startup Summit 2025

Na manhã do segundo dia de Startup Summit 2025, a ACATE realizou dois eventos paralelos com o objetivo de promover conexões. No CentroSul, reuniram-se tomadores de decisão do setor de tecnologia, lideranças de grandes empresas, autoridades públicas, entre outros players relevantes para o C-Level Meeting, promovido com o patrocínio da Softcon Contabilidade e Consultoria e dos escritórios de advocacia Silva, Santana & Teston e Mosimann-Horn, além do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

Na agenda, o Presidente da ACATE, Diego Ramos, apresentou em primeira mão dados do Observatório ACATE 2025. O cenário do ecossistema de inovação também foi discutido no encontro por Bruno Quick, Diretor Técnico do Sebrae Nacional, e Edgard Usuy, Secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação de SC. A programação ainda apresentou um painel sobre oportunidades de internacionalização para o Canadá, com a participação de: Peter Hawkins, Co-Chair da Brazil-Canada Chamber of Commerce (BCCC); Andrea Gardella, especialista em mercados emergentes, indústria e gestão de riscos climáticos e Fundadora da Alcance Solutions; e Rodrigo Alex Martins, CEO International Tech Hub (ITH) e Vice-Diretor do Grupo Temático de Internacionalização da ACATE.

Já no CIA Downtown, foi realizado pelo Grupo Temático Mulheres ACATE o evento Pitch & Brunch, em que lideranças femininas do ecossistema de inovação compartilharam conhecimentos e geraram conexões. A confraternização também apresentou uma roda de conversa sobre governança em empresas de tecnologia, com a participação de: Annalisa Blando, Conselheira de empresas, Planejadora Financeira e Vice-Presidente de Finanças da ACATE; Emília Chagas, Diretora na Darwin Startups, Board Member na GrowthHackers.com, Cofundadora da GrowthHackers Workflow, mentora de startups e membro do conselho de inovação de empresas de tecnologia; e Sílvia Marafon: Conselheira e membro de Comitês no Grupo Leonora, Celesc, Grupo Eletropoll e Focalle Engenharia Viária.

Foram patrocinadores do Pitch & Brunch: Black T-Shirt (BTS)Desvenda CosméticosFounders ClubQi NetworkTeltec Solutions e Zuchetti Brasil.

Rede Brasil Inovador

Aldo Cargnelutti é editor na Rede Brasil Inovador. Estamos promovendo os ecossistemas de inovação, impulsionando negócios e acelerando o crescimento econômico. Participe!

+55 11 94040-5356 / rede@brasilinovador.com.br

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